Os dentifrícios, popularmente conhecidos como cremes dentais, desempenham papel fundamental na higiene bucal diária. Eles auxiliam na remoção de biofilme, reforçam a ação mecânica da escovação e contribuem para a prevenção de doenças como cárie, gengivite, erosão dental e hipersensibilidade.
Além de serem amplamente utilizados pela população, os dentistas têm papel importante na orientação sobre qual tipo de dentifrício cada paciente deve usar, considerando fatores como idade, risco de cárie, condições gengivais, abrasividade e presença de agentes terapêuticos específicos.
Neste artigo, você vai entender o que são dentifrícios, como são compostos, quais tipos existem e como fazer recomendações baseadas em evidências para melhorar a saúde bucal dos pacientes.
O que são dentifrícios e como atuam na higiene oral
Um dentifrício é uma formulação química desenvolvida para aumentar a eficácia da escovação e ajudar no controle da placa bacteriana. Ele combina agentes detergentes, abrasivos, umectantes e compostos terapêuticos, cada um com função específica.
Principais componentes dos dentifrícios:
- Abrasivos: promovem remoção mecânica do biofilme (sílica, carbonato de cálcio).
- Flúor: previne a cárie, remineraliza o esmalte e reduz a desmineralização.
- Detergentes: aumentam a penetração da espuma e ajudam na limpeza (SLS ou alternativas).
- Umectantes: impedem a secagem da pasta (glicerina, sorbitol).
- Agentes terapêuticos: utilizados para controle de sensibilidade, tártaro, gengivite e mau hálito.
- Aromatizantes e corantes: conferem sabor e facilitam o uso, especialmente em crianças.
A ação combinada desses componentes garante que a escovação seja mais eficiente, auxiliando na prevenção de doenças bucais e oferecendo benefícios adicionais de acordo com a necessidade clínica de cada paciente.
Tipos de cremes dentais e suas indicações
Os dentifrícios se diferenciam conforme sua formulação e função terapêutica. Conhecer cada categoria é fundamental para recomendar o produto correto.
1. Dentifrícios com flúor
São os mais utilizados e recomendados para prevenção da cárie. O flúor contribui para:
- remineralizar o esmalte;
- fortalecer a estrutura dental;
- reduzir a perda mineral.
Concentrações comuns variam entre 1.000 e 1.500 ppm, enquanto formulações profissionais podem ser mais concentradas.
2. Dentifrícios para sensibilidade dentinária
Indicados para pacientes com retração gengival, desgaste ou dentina exposta. Contêm agentes como:
- nitrato de potássio;
- arginina;
- fluoreto estanhoso;
- hidroxiapatita nanoestruturada.
Eles bloqueiam os túbulos dentinários e reduzem a dor causada por estímulos térmicos e mecânicos.
3. Dentifrícios antitártaro
Possuem componentes que inibem a mineralização do biofilme, como:
- pirofosfato;
- citrato de zinco.
São úteis para pacientes com predisposição ao acúmulo de cálculo dental.
4. Dentifrícios clareadores
Utilizam abrasivos mais suaves ou agentes químicos capazes de remover pigmentos extrínsecos. Devem ser usados com cautela, especialmente em pacientes com hipersensibilidade.
5. Dentifrícios infantis
Têm sabores suaves, menor abrasividade e concentrações de flúor ajustadas à faixa etária, garantindo segurança e eficácia preventiva.
6. Dentifrícios para controle de gengivite e halitose
Incluem agentes antimicrobianos como:
- triclosan (em produtos antigos);
- CPC;
- zinco;
- óleos essenciais.
São indicados para pacientes com gengivite leve ou halitose de origem oral.
A importância do flúor e da abrasividade controlada
Flúor: item indispensável na prevenção
O flúor é o componente mais estudado e comprovado na prevenção da cárie. Dentifrícios fluorados:
- reduzem a atividade bacteriana;
- diminuem a perda de minerais do esmalte;
- estimulam a regeneração da superfície dental.
Por isso, o uso de flúor deve ser orientado de forma contínua e adequada.
Abrasividade: fator essencial no cuidado odontológico
A abrasividade é medida pelo índice RDA (Relative Dentin Abrasivity). Dentifrícios com abrasividade alta podem desgastar esmalte e dentina, especialmente em pacientes:
- com escovação agressiva,
- com retração gengival,
- ou que fazem uso prolongado de pastas clareadoras.
O dentista deve orientar o uso conforme o perfil clínico do paciente, priorizando produtos com abrasividade controlada.
Como orientar o paciente na escolha do dentifrício ideal
Recomendar o dentifrício correto ajuda a prevenir doenças, melhorar hábitos e aumentar a adesão ao autocuidado. Para orientar o paciente, o dentista deve considerar:
1. Idade
Crianças pequenas exigem cremes com menor abrasividade e concentração de flúor adequada.
2. Risco de cárie
Pacientes com dieta cariogênica, higiene insuficiente ou histórico de lesões devem priorizar pastas fluoretadas convencionais.
3. Condições gengivais
Pacientes com gengivite podem se beneficiar de cremes com agentes antimicrobianos.
4. Sensibilidade
Produtos dessensibilizantes devem ser indicados para retração gengival ou dentina exposta.
5. Estética
Cremes clareadores podem ser indicados com supervisão e por tempo limitado.
6. Hábitos de escovação
A intensidade e a técnica influenciam a escolha da abrasividade adequada.
Orientações personalizadas garantem melhores resultados e fortalecem a relação do paciente com a equipe odontológica.
Conclusão
Os dentifrícios são fundamentais na manutenção da saúde bucal e devem ser escolhidos conforme as necessidades individuais do paciente. Conhecer suas formulações, indicações e propriedades permite ao dentista fazer recomendações seguras e baseadas em evidências, garantindo prevenção eficaz e conforto durante o autocuidado.
Equipamentos clínicos adequados, como câmeras intraorais, profilaxia ultrassônica e sistemas de educação do paciente, complementam o trabalho preventivo e melhoram o acompanhamento profissional.
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